domingo, 6 de novembro de 2011

Sopro


"Que sensação mais estranha..."

Existe realmente o que procuro, sem ter consciência disso? O que foi que não deixou-me afundar? O que não permitiu que eu me afogasse por completo?
Eu me obrigara a continuar nadando no mar denso de confusão, mesmo sem vontade. Obriguei minhas pernas a continuarem andando quando meus olhos já não enxergavam mais.
"É uma nova fase", os ventos de Novembro sussurram em meus ouvidos. Pois bem, estou preparada. Depois de tanto tempo em manutenção.
Meu caixão já fora ocupado tempo demais por meu corpo - que já crescera demais para se encaixar no mesmo lugar. Olho em volta, as coisas envelhecidas me esperam do jeito exato em que foram deixadas... Desta vez eu não vou sufocar na angústia que me cerca. Desta vez estou pronta para a batalha. Desta vez, fiz da minha própria fraqueza um estoque de munição.
O barulho dos ponteiros do relógio só me incomodam pelo tempo que foi gasto em vão. Meus pulmões respiram o novo ar, respiram o ar de mudança. Meus pensamentos já foram fisgados demais na escuridão desta cela. Os cubículos já desapareceram - tudo o que eu conhecia desapareceu, na verdade. Tudo se esvaiu naquela neblina de inverno.
Não, eu não posso salvar-me de mim mesma, mas posso tentar ajudar-me. A única mão que sempre estivera estendida fora a minha própria, e sobrevivo até esse instante possuindo-a apenas. Uma forma de sobrevivência torta mas que, inexplicavelmente, funcionara. Uma forma anormal, uma forma única, minha.
Portanto, aqui estou eu, mudada. Aqui estou eu, diferente. As sombras perseguem, as vozes atormentam. As cicatrizes não desapareceram, elas apenas constatam que o desespero existe, que a ausência existe, e que mesmo quando não há esperança se pode continuar.
O torpor rasteja em minha direção, mas há possibilidades de se fazer curvas, não há?
Estou aqui porque o acaso vive, porque a perseverança se esconde nos lugares mais profundos e ocultos do meu ser e pelo anseio de sentir brisas novas passarem por minha face. Ainda vago por esses caminhos porque meus pés ainda sentem necessidade de presenciar descobertas.
Vamos chamar isso tudo de utopia, sequer uma vez? Não me importa, de qualquer modo.
Que venham as mudanças, que venham as novas fases, que venham mais mágoas, que venha mais lamento, que venha o que for oferecido, que venha a nova chance. Eles não podem me prender... Não mais.
Vamos fazer valer à pena?

E que o novo fôlego me permita recuperar tudo o que a vida, um dia, me levou.

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